Posse do Conselho Estadual de Cultura, biênio 2011-2012
Amig@s, o dia de ontem foi esquisito, postei pouco. Mentira. Nada postei. Tinha umas coisas pra fazer no horário da tarde e não consegui pensar em nada para escrever. Na verdade, preciso me desmentir, até havia assunto, mas me senti desestimulado. Logo à frente explicarei meu desestímulo. Mas por ora, vejamos.
Ontem à tarde, às 15h, no auditório da Biblioteca Pública Menezes Pimentel, ocorreu a posse do novo Conselho Estadual de Cultura do estado Ceará. Assumiram seis novos conselheiros temporários nas seguintes linguagens: Literatura, Música, Artes Cênicas, Artes Plásticas, Audiovisual e Tradições Populares. Na linguagem Literatura, eu, este blogueiro dado a falar com marcianos assumiu uma vaga como conselheiro titular. A reunião, embora tenha tratado de temas de indiscutível relevância, teve um caráter informal por não ter havido quórum suficiente, isto é, não havia a maioria simples para o conselho votar o conjunto de pautas proposto, e deliberar. De qualquer forma, o atual Secretário de Cultura, o Sr. Auto Filho, esteve presente e conduziu toda reunião e, ainda, deu posse ao novo conselho.
Vários assuntos e propostas foram discutidos, analisados e levados em consideração pela presidência do conselho. Alguns pontos se destacaram. Na primeira intervenção, uma colega sugeriu que o conselheiro possuísse um documento de identificação dada a importância da função de ser conselheiro. A partir da fala dela resolvi aprofundar o assunto e, na minha fala, propus que o membro do conselho tivesse, através de lei, o estímulo a assistir aos eventos culturais em todo o estado. No sentido de que se criasse condições materiais para que se pudesse freqüentar os eventos culturais, para, com isso, o conselheiro disponha de um instrumental que lhe permita conhecer in loco et tempore a produção artística e cultural produzida no estado do Ceará.
Uma outra proposta e ponto de discussão foi a interiorização das atividades do conselho. Esta proposta foi feita por este blogueiro, que se dedica à prática da intelocução alienígena, e teve a intervenção sempre propositiva de vários participantes da reunião. Foi proposto que o conselho estabelecesse uma metodologia de trabalho, seja com oficinas de leitura de editais, de confecção de projetos, seminários e debates sobre política cultural, nos municípios do interior do estado do Ceará. De modo a contemplar e acompanhar a produção artística e cultural de profissionais da arte, produtores e entidades relacionadas à arte e à cultura do interior do estado. A motivação é simples tanto quanto a matemática usada para argumentar, o estado do Ceará possui 184 municípios, e Fortaleza, embora capital, é apenas e somente 1 (um noves fora nada) desses quase duzentos municípios. Uma matemática simples, contudo esmagadora e que precisa ser considerada.
Também, este desorganizado blogueiro, propôs que a Secretaria Estadual de Cultura com suas comissões de avaliação de projetos, no futuro, pontuasse e só aceitasse projetos que contemplassem ações cujo o objetivo fosse a formação de plateia como, por exemplo, oficinas e visitas às escolas pelos artistas proponentes. Embora essa proposta tenha causado reações positivas, foi contra-argumentado de que tal proposta já era contemplada nos editais. Na verdade, evitando prolongar e desgastar a reunião com mais argumentações, deixei para uma próxima reunião propor que a Secretaria Estadual de Cultura, em parte de suas ações, mantenha estreita parceria com a Secretaria de Educação do Estado do Ceará. Essa parceria tem por simples razão a formação de público de arte a partir da formação educacional de base. Parafraseando Pitágoras, não é difícil concluir ser muito mais vantajoso, barato e eficiente formar uma platéia experiente de arte desde a infância para que não se tenha de fazer quando adultos.
No entanto, sobre o fato de os editais e comissões de análise já contemplarem projetos que proponham ações de formação de plateia, sinceramente, sem medo de ser injusto, não é bem isso que se vê. Aliás, abrindo aqui espaço para a dúvida, se os projetos contemplam ações de formação de plateia, fato que acredito que seja verdadeiro, o que se tem percebido é que essas ações estão falhando em algum lugar, pois, minha experiência diz é que livros e CD's publicados e produzidos, e os shows montados estão sendo assistidos por uma parcela mínima de público, sem, pelo menos até agora, nenhuma perspectiva de mudança nesse fato. É público e, redundantemente, notório que os shows de nossos artistas independentes com projetos contemplados vem, em sua enorme maioria, sendo acompanhados apenas por amigos e familiares. E os livros e CD's têm alcançado irrisória parcela do público em geral. Livros e discos produzidos, contemplados em editais, na verdade, têm, em pouquíssimo prazo após seus lançamentos, o destino certo das prateleiras dos sebos de livros e discos de nossa capital. É preciso admitir que, eu mesmo, andarilho confesso e contumaz do centro de nossa capital, tenho resgatado vários livros e discos do completo desuso por quantias insignificantes, algumas vezes até encontrando-os em monturos nas calçadas.
Bem, no início falei que ontem estava me sentindo desestimulado a escrever. É verdade. Estava, mas não estou mais. Pois é fácil medir minha atual grafomania pelo tamanho desse texto. O caso é que ontem era a posse do novo Conselho Estadual de Cultura. Para mim, menos pelo fato de ser conselheiro eleito, mas muito mais por ser: cidadão preocupado com as políticas culturais e profissional da arte, pois sou escritor, letrista e arte-educador, causou-me preocupante estranheza o fato de não haver nenhuma notícia da reunião de posse do conselho sequer no sítio eletrônico da Secretaria Estadual de Cultura. Não gostaria de levantar constrangimentos, mas é um fato que tal ausência faz-nos indagar: qual é a importância, para a atual composição da SECULT, a existência do Conselho Estadual de Cultura? Não sei a resposta.
No entanto, a despeito da falha de memória informativa, a reunião se desenrolou muito bem. Vários participantes se manifestaram, expuseram suas dúvidas, propuseram atividades, enfim, embora de caráter informal, a reunião foi muito positiva. Espero que este clima de positividade seja mantido em todas as outras reuniões. E que o atual Conselho Estadual de Cultura seja de ato e fato, como deve e precisa ser. A classe artística do estado do Ceará tem muito a propor e muitas demandas a serem atendidas. E aqui fica um compromisso, que ao final de 2012, quando nosso período expirar, e um novo conselho assumir, espero sentir a satisfação ter feito um bom papel como conselheiro e deixar um Conselho Estadual de Cultura melhor, mais forte e atuante.
Saudações a tod@s
Antonio Filho


Grande Antonio Filho,
Parabéns pela posse, espero que essa gestão que por ora se inicia possa dar maior relevância ao Conselho de Cultura. Creio que a eleição de alguém que entende e elabora sobre o tema, assim como você, vai contribuir bastante neste sentido.
Como sugestão para suprir deficiência comunicacional acerca das ações do conselho (é uma área que eu entendo um pouco), sugiro um contato direto com a Assessoria de Comunicação da SECULT, que deve ter esse papel de mandar as informações para a imprensa e fazer o registro.
Gostei particularmente da sua proposta de interiorização das reuniões do conselho, é simplesmente impossível pensar as políticas públicas voltadas para a cultura do estado do Ceará focado apenas na capital.
Forte abraço!