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O “causo” da bolinha de papel


O “causo” da bolinha de papel

(Felipe Penaforte)



Sob os holofotes da grande mídia,

por entre manifestantes.

"Ai! Ai! Atingiram-lhe a careca!”,

Armado estava o escarcéu.


Uma bolinha de papel,

tão pequena, tão faceira,

salta por sobre a calva

do candidato, na feira.


Rola o rolo de fita crepe e ele

esfrega, esperto, a calva.

Porém, quase esperneia.


Aos celulares! Às ambulâncias!

“É um atentado!”,

a mídia repercute

em coro indignado.


Um perito foi chamado

para analisar o sucedido,

mas não se vê gota de sangue,

pois ninguém saiu ferido.


O doutor, no hospital,

explica a situação:

“Chegou aqui muito abalado...”

(“Mas saiu sem arranhão”,

não se anima a esclarecer).


Enquanto isso, o metrô

de São Paulo, paralisado,

não era “dolo petista”.

Era culpa do maquinário,

por falta de manutenção

(mas o laudo só foi publicado

terminada a votação!).


E de tanta falsidade,

o povo nem quis saber,

pois lembrava muito bem

do governo FHC.


E escolheu por governante

uma mulher competente

como “nunca antes se viu”,

para seguir construindo

a História do Brasil.

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