19defevereirode2010
há tempos desejo escrever regularmente num blog. nunca consegui. os blogs foram nascendo e permanecendo à medida que se esvaía a inspiração inicial. as coisas são assim mesmo na minha vida. gosto. faço. desfaço. continuo. paro. e vou lavar as mãos. no entanto, não gosto de fazer nada importante pela metade. amor. ler livros. prato de comida. copo d'água. filme. trabalho. preguiça. as coisas precisam ter começo, meio e fim. mas podem ter só o meio mesmo que já fica de bom tamanho. o que importa mesmo são as coisas. um pedaço de cada coisa também é importante.há muitos anos, perambulando pelas ruas do centro da cidade, no início da noite. eu que sempre gostei das coisas desprezadas. encontrei em frente a um estúdio fotográfico, num saco preto de lixo, um grande envelope de papel madeira cheio de fotos rasgadas e negativos de gente desconhecida. desconhecida por mim, é claro. mulheres sorrindo. seios. coxas longuíssimas encimadas por um lencinho de poliéster chamado biquini. alguns homens. poucos. acho que as mulheres são mais dedicadas à pose. catei o envelope. pus na mochila e fui pra casa. daquela algaravia visual fiz uma colagem que usei pra reproduzir em folhas A4 e as usei como suporte para cartas. ficou bonito. escrevi umas duas ou três cartas. só não lembro mais pra quem se destinavam.

